Capítulo 4: Route 5: Levando Um Susto e Perdendo Outro


Route 5: Versant Road

Após uma longa caminhada de volta a Lumiose, e dela passando para a rota cinco numa de suas saídas pelo Boulevard Sul, o quarteto se depara com uma pista de patinação logo em sua entrada, a Skate Park. — É impossível andar sem esbarrar em algum patinador nessa nova região, o lugar é cheio deles, muitos praticando suas manobras e competindo com outros em corridas. Evidente que os patins são o meio de transporte mais usado de Kalos de tantos que já viram passar por eles desde que chegaram a ela.
O relevo do local se mostrava irregular ao longa da rota, muitos altos e baixos e corrimões distribuídos por toda parte, não se limitavam só ao Skate Park. Até mesmo, algumas partes ali só é possível acessar com o uso dos patins sobre os corrimãos, sem eles é arriscado.
O movimento estava relativamente baixo naquela tarde, os treinadores mais encontrados eram, obviamente, os patinadores, mas ainda tinha alguns outros tipos variados. Como alguns jovens que passeavam pelo local na companhia de amigos e/ou seus Pokémon, e até garotinhas gêmeas que brincavam de batalhar entre si com seus pequenos Pokémon também de mesma aparência para combinarem com as mesmas.
Um pouco mais afastado do centro, apoiado a uma árvore, uma figura solitária e misteriosa observava as pessoas no parque, principalmente os treinadores, parecia incomodada com a presença deles. Entre eles um menino ruivo que registrava em sua Pokédex os Pokémon que encontrava, e próximo desse um outro maior que dançava com alguns monstrinhos. Pessoas normais brincando e se divertindo com seus companheiros de bolso, não havia nada neles que pudesse ser motivo de incomodo para qualquer um que visitasse a rota.
“Hunf!” foi tudo que expressou antes de ir embora, adentrando a fauna local.
Pelo pouco que podia-se ver antes de sumir, era uma menina com idade entre oito e dez anos. Usava um moletom azul que cobria quase todo o seu corpo, parecendo algum tipo de vestido, e das aberturas laterais do capuz que usava para cobrir seu rosto, saía seu volumoso cabelo loiro creme preso em Pig Tails. Suas mãos estavam dentro dos bolsos frontais do moletom , e suas pernas pouco visíveis, mostravam longas meias fofas com cor semelhante aos do cabelo, não era possível ver qualquer calçado com a grama alta cobrindo seus pés.
Talvez o incomodo fosse por não ter nenhum Pokémon, como as outras crianças presentes ali. Ou não estar em jornada como algumas outras que passavam pelo local semanalmente…

{…}

— Podemos descansar agora? Estou cansada e com fome… — Marjorie andava fazendo corpo mole.
Eu também! Meus pés já estão doendo! — Ralts acompanha a garota nas reclamações como na maioria das vezes. É cansativo para o pequeno andar tanto sempre nas pontas dos pés, mas ele não tinha escolha.
Depois de uma manhã inteira andando e tendo apenas uma parada para o almoço, era uma boa ter uma segunda pausa antes de chegarem a próxima cidade.
— Acamem-se vocês dois… — Aren apressa seus passos para sair um pouco do alcance dos dois e procura com o olhar algum lugar onde pudessem parar. — Vejam! Tem um pequeno campo onde podemos descansar um pouco.
— Ai, finalmente! Já não aguentava mais! – Responde Marjorie, agora radiante. — Vamos na frente, Ralts!
Ambos chegam no campo citado usando o Teleporte de Ralts. Aren e seus dois Pokémon andam calmamente até o lugar, estavam menos cansados por estarem acostumados com longas caminhadas, fora o Cacturne que não gostava muito dessa ideia durante o dia.
Tem alguma coisa para comer? — Pergunta o Ralts assim que o trio se aproxima.
— Creio que não o suficiente… — Aren responde verificando sua mochila, dentro dela não tinha muita coisa para comer naquele momento.
Podemos coletar algumas frutas e berries… tem muitas árvores frutíferas por aqui. – Ori que observara ao redor desde que chegaram indica com a cabeça algumas que tinham próximas deles.
— Eu estou morrendo… não consigo dar mais um passo… vão sem mim, eu espero… — Marjorie deita no gramado fazendo drama e fingindo desmaiar. Abre um dos olhos para encarar sua plateia que apenas ria de sua interpretação.
Aren dá um risinho e deixa por assim mesmo, o garoto sai com Ori e Ralts para pegar algumas frutas enquanto Scare preferiu ficar e fazer companhia para a atriz. Ralts avisa que ficaria de olho nele e sai.
Com o tempo que os três saíram, ainda deitada, Marjorie volta a vida.
— Não pense que sou preguiçosa, tá? – Ela bufa para responder ao cacto que nada disse a respeito.
“Não pensei nada disso… você é noturna como eu, não? Reparei que é mais ativa de noite também.” Scare a observava curioso. Estava de pé e imóvel ao lado dela.
— Eu não sou noturna, bom… um pouco talvez. — Ela senta e, ainda rindo um pouco da pergunta, puxa para si sua bolsa e tira de dentro uma toalha quadriculada branca e vermelha típica de piquenique e a estende na frente deles. Sentando em uma das laterais.
— Você não é de conversar muito, né?
“Não.”
— Que direto… que ao menos fingisse pensar um pouquinho antes de responder! — A garota olha feio para o cacto que não entende a provocação.
Aren e seus dois ajudantes de coleta voltam com as frutas, foram colocadas na mochila do garoto que quase estranha os dois, que tinham ficado para trás, conversando. Tinha esquecido desse detalhe de Marjorie por não tocarem mais no assunto e não a ver mais falando com qualquer outro Pokémon fora Ralts e Ori que se comunicam por telepatia com qualquer pessoa.
— E aí? Está bom o papo? — Aren pergunta referente a expressão de birra da garota. Ele senta próximo a toalha e retira de dentro de sua mochila as frutas colhidas.
— Ele é muito calado, mas logo farei ele ser mais esperto. — A garota desamarra a cara quando vê comida em sua frente.
— Boa sorte, ele não é de criar assunto e nem de manter conversas longas. — Ori responde. Está de pé ao lado de Aren.
Ralts chega de fininho perto de Marjorie e senta-se entre ela e seu rival.
— Ralts ciumento. — Marjorie diz ao vê-lo rejeitar o cacto.
Todos ao redor para comer e conversar. Aren mais observava que falava, se sentia um pouco deslocado por não entender a conversa ao todo. Os poucos rosnados de Scare não eram traduzidos sempre, e nesse momento sentiu uma pontinha de inveja e desanimo, que foram percebidas por Ori. O chacal sentado ao lado esbarra no braço do garoto para lhe chamar de volta a realidade e evitar pensamentos depressivos. Aren de volta, retribui um “obrigado” amigável a seu amigo.

{…}

Os monstros de bolso são deixados para explorar livremente a rota onde estavam. Não era tão grande a ponto de se perderem e nem tão pequena que não pudesse ser bem explorada e garantir alguma diversão a eles.
Enquanto os três monstros da dupla estão afastados, um Pokémon se aproxima sorrateiramente do local do piquenique. Procurava por comida e o cheiro que sentira o atrai diretamente a mochila onde começa a mexer. Aren e Marjorie estão de costas as suas coisas, observando seus monstrinhos brincando com algumas crianças que tinham por ali naquele final de tarde — Apenas Ralts na verdade, os pequenos se assustam com Scare e Ori parecia meditar num ponto mais afastado —, quando ela, Marjorie vira-se para pegar algo em sua bolsa e vê a mochila ao lado balançando.
— Aren… tem alguma coisa na sua mochila… ela está se mexendo! — Marjorie se apressa em ficar de pé e se afasta apreensiva. — O que é isso? As frutas que vocês pegaram são mutantes?! Ou pior… eram algum tipo de Pokémon?! — Começa a se alterar.
— Quê?! Não! Claro que não. Deve ser algum Pokémon selvagem que está atrás de comida. — Aren se surpreende mais com o que ouvira que com o que estava vendo. — Eu saberia se as frutas fossem Pokémon… tipo o Cherubi.
— Cheru… quem? Existe mesmo um Pokémon fruta?
Com as vozes e barulhos externos o Pokémon ladino revela sua identidade, um Gulpin. Pequeno, redondo e verde, tem a aparência de um slime (inimigos gosma dos jogos de RPG), possui um losango preto em suas costas e algo semelhante a uma crista fina e longa no alto de sua cabeça e na cor amarela. Tem seus olhos bem pequenos parecendo estarem fechados, um par de curtos bracinhos e em sua enorme boca todas as frutas que sobraram para comerem outra hora.
— Eei! Isso é nosso, sua gosma ladra! — O rosto de Marjorie se contorce ao ver as frutas se dissolverem na boca babosa da criatura. — P-pode ficar pra você… que coisinha é essa, Aren? — Ela pergunta em cochicho perto do garoto que estava de pé observando e sem saber o que fazer, estava sem o Ori ou Scare por perto.
— É um Pokémon do tipo veneno… “saco ácido” segundo a Pokédex. Tudo que coloca em sua boca, ele derrete com seu ácido.
— Eca!
O Pokémon ignora a presença dos dois e volta para dentro da mochila, puxando a agenda e outras coisas importantes. Estava bastante tranquilo para um Pokémon selvagem tão próximo de humanos, provavelmente já fazia isso a muito tempo no parque. Rouba comida na cara dura sem se preocupar em ser importunado ou atacado por saber que o temem, afinal, ele pode derreter o rosto de uma pessoa num só cuspe, apenas Pokémon têm resistência suficiente para enfrenta-los sem se machucar gravemente.
— Não! Pare de fuçar agora mesmo! — Aren se desespera e tenta puxar a mochila de perto do Pokémon antes que comesse ela inteira.
Gulpin abre sua enorme boca, irritado, e parte para cima do garoto que por reflexo, pega uma Poké Ball de dentro da mochila recuperada e a joga na direção do Pokémon. Aren estava indefeso no chão e não viu outra coisa a fazer senão isso. O Pokémon é puxado por um feixe de raio vermelho da Ball e preso dentro dela. No chão, a esfera bicolor começa a balançar e piscar uma luzinha vermelha no mesmo botão usado para expandi-la e comprimi-la.
— Ei, ei, isso aí não é para captura-los? Vai mesmo pegar essa coisa?! — Marjorie se afasta do garoto que estava tão pasmo quanto. Agiu sem pensar, e caso o Gulpin não ficasse na Ball tinha a chance de ainda serem atacados.
Vocês estão bem?! — Ori surge depois da ameaça que sente. Só a garota responde, assentindo com a cabeça.
A Poké Ball para de balançar e piscar, Gulpin foi capturado com sucesso.
— E-ele… ficou… — Aren responde ainda paralisado no chão.
O que eu perdi? — Ralts aparece logo em seguida, viu Ori sumir de sua vista e o seguiu, vendo que sentia perigo perto de sua Trainer.
Aren recolhe a Poké Ball um pouco inseguro. Olha para os presentes esperando algum tipo de encorajamento, mas apenas recebe olhares curiosos como resposta. Ainda pensativo libera o Gulpin. Novamente livre, o Pokémon parecia confuso e estava nervoso, se encolhe de guarda alta, qualquer coisa e ele atacaria.
— Oi. Está com fome, certo? Te arranjo comida e você não precisará roubar mais, o que acha?
Aren fica bem próximo do Pokémon que parecia desconfiado e prestes a atacar caso se aproxime mais um pouco. Ori se alerta com isso e observa Gulpin com cuidado. Suas mãos prontas para materializar um Bone Rush.
— Vai mesmo ficar com ele?! — pergunta a Marjorie, desgostosa.
Eiii, o que está acontecendo? — Ralts insiste e é ignorado pela segunda vez.
— Ele deve estar acostumado a pegar comida das pessoas tranquilamente por evitarem se aproximar. Ele mesmo não alcança nos altos galhos das árvores, por isso rouba, mas é perigoso que ele continue com isso no parque. Pode machucar alguém ou ser machucado. Se ele concordar, vou treina-lo. Hein, Gulpin, o que acha? — Volta sua atenção ao pequeno que já estava mais calmo.
O Pokémon se aproxima do garoto a procura de mais comida, tinha substituído o susto por curiosidade.
Acho que isso foi um “sim”. — Ori responde. Relaxa o corpo e suas mãos agora na cintura.
— Não quero essa gosma querendo comer o Ralts, é bom que nem tente! — A garota não aceita por completo a presença de Gulpin, pega sua bolça, Ralts e sai do local. Não anda muito até parar de repente e olhar ao redor. — Ué, cadê o Scare?
Ele… estava bem atrás de nós… — Tinha um ar surpreso no rosto de Ori. O Lucario tinha esquecido seus companheiros quando sentiu seu Trainer e Marjorie em perigo.

{…}

“Péssima mania minha de andar sem rumo… agora estou perdido!”
Para evitar assustar mais crianças e ter seus pais desgostosos com a sua presença, o Cacturne tinha saído para explorar os arredores e se embrenha entre as árvores que têm nos limites da rota 5. Distraindo-se com facilidade, se perdeu e tornou-se invisível entre as árvores por sua cor predominante. Não estava longe, andando mais voltaria ao meio urbano.
“O que é você?” Uma voz feminina e até um pouco infantil quebra o silêncio da clareira onde se encontrava o cacto perdido.
“Hã… quem… ?” Um pouco surpreso, vira-se e dá de cara com uma silhueta, pouca coisa menor que ele, a mesma silhueta da garota que visitou a rota naquele mesmo dia mais cedo. Mantinha-se numa sombra fitando o Pokémon. Apesar do breu onde estava metida, foi possível ver sua vestimenta azul, “uma garota… humana? Uma humana sozinha nesse lugar? É perigoso, sabe…”
Ele fica confuso com a novidade, humanos não podem adentrar florestas sozinhos por ter a chance de serem atacados por Pokémon selvagens.
“Eu perguntei primeiro, me responda.” Ela insiste.
Ele nem estranha muito estar falando com uma possível humana, depois de Marjorie, esperava encontrar mais pessoas assim. Seu Trainer não o entendia e isso era frustrante…
“Sou um Cacturne… Pokémon meio planta e sombrio. E você… ?” Ele não esquece de uma pergunta depois de feita, e igualmente insiste nela até ser respondido.
“Não sou humana. Sou um Pokémon também.” Ela sai das sombras para mostrar seu rosto, afasta o capuz dele sem tira-lo.

cap4

A Pokémon é uma Lopunny, O Pokémon coelho, suas longas Pig Tails são na verdade suas enormes orelhas comumente cobertas por uma fofa pelagem.

É a primeira vez que via tal Pokémon, Scare paralisa encantado com a sua aparência, a achou adorável e não consegue dizer mais nada.
“O que foi, hein?! Pare de me olhar abobado como se nunca tivesse visto um Lopunny antes!” Ela fica nervosa e deixa suas mãos em punho próximas ao rosto. Sempre fazia isso quando se sentia acanhada ou quando estava contente. Nesse caso se acanhou e ficou irritada em ser observada, aparentemente não gostava de atenção.
“D-desculpa, mas é que eu… ”
Scare não tem a chance de terminar, um barulho atrás dele deixa a coelha mais irritada e ela foge num pulo, literalmente, com um forte impulso salta para a árvore mais próxima e desaparece, diminuindo sua presença a cada galho alcançado. Em poucos segundos não se via mais nada. Tinha sumido.
“… te achei muito bonita.” Ele termina a frase desanimado, ainda encarando perplexo o nada deixado por Lopunny.
“Ei, Scare! O que está fazendo por aqui? Andando sem rumo outra vez? Ori para de braços cruzados ao lado do Cacturne.
“Sim… ”
“Hm?… e onde está o Pokémon com quem estava conversando? Senti sua aura e de outro Pokémon agora a pouco.”
O Cacturne cora.
“Err… e-ela fugiu… eu… err… d-deixa pra lá… esquece.” Desiste de falar por causa da gagueira e seu rosto quente, sai apressado por onde Ori surgiu, seguindo a trilha de grama amassada deixada pelo chacal.
Ori o analisa confuso com essa reação, a aura em reboliço do espantalho o incomodava por não saber o que estava sentido exatamente até concluir o que era. Somando com o coração mais palpitante que o normal, nervosismo (que desencadeou a gagueira) e rosto corado, descobriu o que estava acontecendo. Seu amigo tinha gostado da Pokémon fugitiva, e provavelmente, nunca mais a veria depois desse encontro.
No campo onde Aren, Marjorie, Ralts e Gulpin — que estava comendo mais frutas colhidas só para ele — esperavam pelos dois, Scare é recebido com uma pequena bronca dos dois humanos preocupados, ele se afastou demais quando o limite dado era de ficarem dentro da rota. Exceção de Ralts que parecia ligeiramente desapontado…
“Desculpa atrapalhar, se eu soubesse tinha lhe dado mais tempo.” Ori diz passando pelo cacto de volta aos Trainers. Marjorie ouviu, mas não entendeu o que o Lucario quis dizer. Scare sorri por dentro com o apoio.
— Todos presentes? Sim, então vamos continuar até a próxima cidade. — Aren fala tomando a liderança do grupo e seguindo com Gulpin de volta a Poké Ball e seus dois Pokémon o acompanhando um de cada lado.
— Sim! Vamos logo antes que outro Pokémon estranho apareça ou que outro fuja de nossa vista. — Marjorie o segue com Ralts.
A indireta foi recebida com sucesso pelo Scare que encolhe os ombros.

{…}

Já era de noite quando chegam a Camphrier Town: “Uma cidade onde você pode experimentar o tempo”
O visual dessa cidade lembra muito a de Santalune, como tal, essa também é contornada por um alto muro de pedras. Muro que defendia a cidade de ataques tempos atrás ou que ainda protege algum segredo ou tesouro da região.
Explorariam mais da cidade no dia seguinte, cansados, os dois Trainers e seus Pokémon param no Pokémon Center para passar a noite.

 

Notas finais do capítulo

Como eu vou colocar essa coelha de novo na história eu-não-sei, é isso ou deixar o Cacturne de coração partido. Muahahaha!! >XD
Próximo capítulo vai ter uma penca de personagens aparecendo do nada, espero não ter confusão quanto a isso ú.u
Até o próximo


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