Capítulo 1: Nova Aventura x Primeira Aventura

Partirão em mais uma jornada, treinador e seu companheiro de bolso. O Pokémon está curioso sobre a nova região a ser explorada. Observa com atenção o jovem que a semana toda prepara suas coisas para viagem, muito ansioso. Mesmo não mostrando seu amigo podia sentir. O Pokémon espera pelo humano na frente de sua casa até que esse aparece, ele disse que sairiam para compras de última hora naquele dia.

O garoto vai para frente de casa distraído lendo algo numa folha de papel. — A frente dessa dá para uma rua quieta, o local possui árvores muito altas que produzem uma atmosfera refrescante com suas sombras e Pokémon pássaros e insetos que deixam a cidade mais bonita. — Ele cessa de frente para seu Pokémon e só o encara quando termina a leitura. Se chama Aren e é um garoto de altura média e franzino. Tem os cabelos curtos e brancos, um pouco desarrumados. Olhos castanhos escuros e a pele num tom pardo bem claro. Está usando uma camisa amarela de mangas curtas, com a gola e base de cor verde-água “zipada” de uma a outra. Calça e curtas botas totalmente pretas.

— Ori… teremos companhia nessa nova aventura… — Mostra uma fotografia que veio junto da carta, é o rosto de uma garota de pele muito clara, grandes e expressivos olhos verdes e cabelos negros bem lisos. — Um tio distante meu está vindo pra cá com ela e pede para que eu a leve na jornada comigo… ela tem 16 anos e se chama… — Ele volta para a carta procurando pelo nome dela. — Marjorie… que nome diferente.

O Pokémon é um Lucario — Pokémon Aura, é um canino bípede, com pelos predominantemente azul e preto. Ele possui um tipo de espeto ósseo curto na parte de trás de cada uma das mãos, em adição a um terceiro no peito. O focinho e orelhas são longos. Possui os pelos de cor amarelo em seu torso, e azul em suas coxas que se assemelham a calções. A cauda de comprimento médio da mesma cor azul e possui quatro apêndices, que lembram vagamente dreads, pretos em sua cabeça, que se elevam quando lê ou manipula a aura — que com muito custo evoluiu do Riolu teimoso que sempre foi. Não que fosse infeliz com a vida que levavam juntos, mas sim, porque queria mostrar ser forte como o pequeno lutador que era antes de mudar sua forma.

— Hm… e vai mesmo fazer isso? Achei que preferisse andar só… digo, só de companhia humana para evitar atrasos. — O Pokémon responde transmitindo seus pensamentos interessado na resposta. Não lhe parecia uma má ideia ter alguém acompanhando.

— Bom, é… mas farei uma exceção por estar muito curioso — pausa pensativo. — Ela é como se fosse uma prima minha, certo?

Depois de expressar sua ideia sobre ter uma possível prima, senta com Ori no banco da frente de sua casa que fica abaixo da janela. — É feito do tronco de uma árvore que foi derrubada anos atrás por um forte vento de tempestade. — Depois de observarem por mais um momento a fotografia, Aren a guarda junto da carta no envelope onde vieram. Espera por sua mãe que o proibiu de sair até ter notícias da garota. Por algum motivo Ori sabe que essa jornada não será como a primeira. Sente algo diferente, fora do comum na aura que veio junto do envelope e seu conteúdo…

Moram em Nuvema Town, Unova — é a mais distante das outras regiões. Kanto, Johto, Hoenn, Sinnoh, Kalos e Alola —, onde iniciaram juntos a primeira jornada Pokémon de suas vidas. Mesmo tendo virado parceiros assim que o garoto completou 10 anos de idade, a viagem só foi possível depois de três anos, sendo assim, só saiu de casa com permissão de sua mãe aos 13 anos no lugar dos comumente 10. A própria mãe treinou o filho para ser independente, por isso muito do que Aren sabe e até o jeito de agir algumas vezes vem dela.Agora com 14 segue para sua próxima exploração numa outra região.

{…}

— Aren, seu tio ligou. — A mãe do garoto surge pela janela entre os dois. Ela se debruça no batente da mesma, cruzando os braços para se apoiar. Diferente do garoto que tem cabelos grisalhos, ela tem os seus castanhos e presos num rabo-de-cavalo, e os olhos mais claros. Seu nome é Elinor — Ele já veio com a garota para Unova, mas não a trará direto para cá… ele disse: “ela mesma quis continuar só para não ser tão dependente. Começando por andar sozinha numacidade desconhecida com apenas um Pokémon de companhia” ou algo assim… parece que esta será a primeira vez que sai em jornada. Ah, seu tio ligou da cidade vizinha, então ela já deve estar bem perto em alguma rota próxima. Vá busca-la!

A mulher de face energética e rosto jovial dá a ordem e volta para dentro da casa. Ela está com o seu avental florido favorito sobre um vestido amarelo que vai até os joelhos, e sandálias cor de creme. Olhando melhor tem um pouco de farinha e achocolatado em seu avental.Com certeza prepara uma recepção de boas-vindas à misteriosa garota que seu cunhado deixou andar sozinha por uma rota com Pokémon selvagens que podem ataca-la. Depois que ela entra cantarolando os dois se levantam prontos para sair em busca de Marjorie.

— Pode encontrá-la seguindo algum tipo de aura deixada na carta? — O garoto vira-se para Ori e recebe um sorriso de seu Pokémon, confirmando a pergunta. Só daí os dois se apressam em ir busca-la.

{…}

A rota 19 é bem espaçosa e coberta em maior parte por grama, exceto pela passagem de terra batida de tantos que sempre passam por ali. Tem muitas árvores e arbustos de onde poderia a qualquer momento surgir um Pokémon selvagem e tentar atacar algum desavisado que por ali andasse. Meio escondido atrás das árvores tem um rio que vem de uma pequena cachoeira mais a frente, e em sua margem do outro lado um paredão de rochas bem íngremes levando a um topo meio inexplorado.

— Ahem… acho que estamos perdidos, Ralts… na minha frente só vejo verde e mais verde! Onde estão as pessoas?! — Se desespera segurando sua cabeça com ambas as mãos.

É a garota da fotografia. Ela está com uma blusa simples cor-de-rosa, saia jeans azul escuro, um pouco mais claro na parte das cochas. Meias brancas até os joelhos, sapatilhas pretas e uma bolsa estilo fichário na cor azul claro, cuja alça atravessa seu corpo. Ela parece ter 10 e não 16 anos de tão pequena, e seu cabelo é tão longo que bate nos joelhos.

O Kirlia da garota, apelidado de Ralts, por nessa forma ter sido encontrado se aborrece com a garota estar irritada com a cor verde. Ele cruza os braços descontente e vira a cara. — Kirlia, Pokémon emoção. Ele é bípede e branco, parece uma garotinha de tutu. Tem o “cabelo” verde partido como maria-chiquinha que chega até seus ombros e dois chifres vermelhos posicionados como grampos de cabelo. Tem pernas verdes bem finas com pés pontudos e está sempre de pé nas pontas deles. Braços brancos divididos em sua extensão em dois dedos.

— Hm?… Ah, fol mal, Ralts… eu não falava da sua cor. O seu verde é lindo! — Acaricia o “cabelo” do Pokémon. — … o que foi isso?! — Ela se alerta com o barulho de grama mexendo a suas costas e olha para trás um pouco aflita. — Corre, Ralts! Deve ser algum Pokémon maluco querendo nos atacar! — Ela puxa seu parceiro consigo para trás de uma árvore e some de vista.

Com o som mais próximo percebe-se que são passos de pelo menos duas pessoas. Uma delas é um garoto que conversa com sua companhia, mas seja quem fosse ao seu lado não lhe respondia… ao menos não com palavras, porque o garoto prosseguia falando normalmente.

— Não vejo ninguém… tem certeza que sente a aura dela nesse lugar? Deveríamos dar de cara com ela pelo o que disse agora a pouco. — Aren provoca, sabe que nesse quesito Ori nunca falha. Podia andar até mesmo de olhos fechados e encontrar qualquer um ou qualquer coisa não importando onde estivesse escondido. Mas assim mesmo, Aren não disfarça estar um pouco confuso com a situação.

— Ela se esconde… nós a assustamos. — Pensa alto respondendo ao garoto. Ele não sentira nada ali que poderia ameaça-la ou tê-la assustado, além dos próprios passos quebrando alguns galhos secos pelo caminho.

— Oláá! — Aren grita com suas mãos uma de cada lado do rosto. — Marjorie, viemos te buscaar! Apareça!

— Precisa mesmo disso?… Eu sei onde ela está!— O Lucario espalma uma das patas em seu rosto.

Cap1

— É? Por que não disse antes?

A expressão de Aren era bem boba e Ori não lhe responde mais.

Detrás de uma árvore que tem escondida entre outras no canto a direita deles, a garota ouve atentamente a conversa dos dois. Agora com o segundo sujeito identificado, é um Pokémon que pode se comunicar por telepatia. Ela suspira aliviada em confirmar que o garoto é o confiável sobrinho de Karl, o monge de Sinnoh que cuidou dela até ter que dar-lhe independência e escolha de seguir numa jornada Pokémon para conhecer o mundo. Ela não poderia passar o resto de sua vida reclusa ali. Cedo ou tarde teria que se descobrir, seja como treinadora, criadora ou performer Pokémon, não que só existisse isso… mas entre os jovens, essas são as mais populares e cobiçadas “profissões”.

— Oi… err…— Marjorie finalmente sai de seu esconderijo com Ralts ao seu lado e caminha para perto dos dois. Nisso chama atenção deles que tinham se distraído e recebe um “oi” de cada. — Como sabem sou Marjorie, prazer! E esse aqui é Ralts. — Ela os cumprimenta calmamente e aponta a fada psíquica que reverencia. A garota observa Aren, analisando-o dos pés à cabeça. Pelas recomendações de Karl ela esperava alguém mais velho e experiente. — Ué… é com você que sairei numa jornada Pokémon? Uma criança?

— Sim e não, não sou criança. Você que deve ser uma, é menor do que eu! E como assim “Ralts”? Ele é um Kirlia… — Aren olha novamente para o pequeno Pokémon para confirmar. É um Kirlia.

Ralts faz vez ou outra uma dancinha, está meio disperso da conversa.

— Eeeii, quando o conheci ele era bem pequeno e disse que se chamava assim! — Ela cruza os braços e fecha a cara, emburrada. — Não sei sua idade, mas com certeza eu sou a mais velha… — continua.

Aren suspira desistindo de prosseguir com aquilo. Obviamente ela o encontrara como Ralts e continuou a chama-lo assim mesmo depois que evoluiu.

— Tá bom, tá bom, que seja… eu sou Aren e esse aqui Ori. — O Pokémon acena com a cabeça para a garota. — Planejávamos partir amanhã para Kalos, mas agora com você, talvez tenhamos que adiar para que possa se organizar e…

Ela o corta se apressando em protestar.

— Não, não! Não adie sua viajem por minha causa! Nem precisa me levar se for um problema… isso foi ideia de seu tio, não precisa seguir…

Cabisbaixa depois do que disse, puxa uma mecha de seu cabelo e fica enrolando no dedo formando um cachinho que logo se desmancha. Não queria ser um fardo principalmente para quem mal conhecia. Ele contorna sorrindo, não sentia incomodo naquilo.

— Não, que nada, será legal viajar com alguém… hm… humano. Agora vamos logo, minha mãe já deve estar preocupada nos esperando. Lá a gente conversa e vê o que faz.

Aren e Ori tomam a frente com Marjorie e Ralts logo atrás. Em Nuvema são recebidos pela mãe do garoto que os esperava na frente de casa. Um pouco antes de vê-los estava sentada no banco de mais cedo lendo um pequeno livro. Ela os manda para a sala onde já está o bolo de chocolate com cobertura do mesmo e uma jarra de limonada. Entrando na casa eles mostram um pouco dela para Marjorie até a sala. Ela é pequena e bem iluminada por ter as paredes brancas. Próximo da janela que dá para a rua pouco movimentada, está uma solitária poltrona marrom e do seu oposto tem um sofá de três lugares de cor verde claro, sobre ele tem algumas almofadas em cores sortidas. A mesinha de centro está sobre um tapete colorido com desenhos de flores, e sobre a mesma, o bolo e a bebida.

No sofá junto de seus Pokémon, Aren e Marjorie conversam sobre a futura jornada enquanto lancham. Elinor também está presente, mas na poltrona solitária onde voltara a ler seu livro. Ela não participa da conversa para não atrapalhar, já teve sua vez numa jornada, agora é com eles. Os dois aventureiros mantiveram a ideia de partir no dia seguinte para Kalos. Cansada ou não da viagem que acabara de fazer, Marjorie e companhia sairiam de manhã com eles.

Ela está tão empolgada quanto ou até mais com o início de sua aventura. Seu rosto corado e expressão de ansiedade deixavam isso claro.

{…}

 Quase dez horas e Elinor já tinha ido dormir. Ralts estava sonolento, mas não queria fazer o mesmo. Marjorie sai de seu lugar no sofá para falar de frente com Aren que se mantem sentado entre os dois monstros, todos a olham curiosos, mas não dizem nada. Ela reunia um pouco de coragem antes de desabafar sobre o primeiro dia de sua primeira aventura tão longe do lugar que tinha como lar. Ainda observada pelos três, começa a falar, falava diretamente com Aren para começar.

— Sei que mal nos conhecemos, mas fico muito feliz em poder viajar com você! Apesar de ter sido tudo muito súbito… — Ela faz uma breve pausa. Voltando a falar, gesticula um pouco mais. — Poxa, fui deixada sob a responsabilidade de um garoto mais novo que eu um dia antes dele partir em sua própria aventura por uma nova região inteirinha, e mesmo com o pedido imposto sem saber o que pensava a respeito, fui aceita de bom grado… sei que não parece grande coisa, tipo: “Ah, é só uma jornada qualquer.” Maspra mim é importante, sabe… obrigada de verdade! Aos dois… — Ela olha para Ori que sorri, e voltando para Aren na sequência. — E sua mãe que mesmo interagindo pouco, para não atrapalhar em sua organização talvez… foi muito gentil e calorosa comigo como uma mãe que nunca tive…

No fim de seu discurso, sorri, ela é quase tão sensível a emoções e auras alheias quanto aqueles dois Pokémon presentes, e por isso sentia-se muito bem ali. Com aqueles que ela mal conhecia, mas que já faziam parte de seu mundinho. Menos de um minuto de silêncio foi o suficiente para Aren absorver todas as palavras de Marjorie. Ainda sentado, ele responde.

— Entendo o que quer dizer… bom… eu sou “de boa” quanto ao pedido surpresa de meu tio. Como posso dizer… eu serei como o seu tutor sobre Pokémon. Ficarei contente em te ajudar a aprender sobre eles e sobre o que vai escolher para si.

Ori emite um latido de apoio, também a ajudaria no que fosse preciso.

Ralts simplesmente sorri por Marjorie e ele terem sido bem aceitos.

Tudo arrumado para o dia seguinte. Na hora dormir resolvem “acampar” na sala com travesseiros e lençóis para continuarem conversando e se conhecerem melhor, o máximo possível antes de viajar.

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