Análise a Pokémon Red Version & Blue Version (GB)

Análise a Pokémon Yellow Version

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Em outubro de 1999 chegaram ao mercado europeu os jogos que iriam revolucionar a vida das crianças daquela época e que fez vender imensos Game Boy (sobretudo a versão Color). Era quase pecado não ter um exemplar. Mas que raios estou eu a falar? Do “Pokémon Vermelho” e “Pokémon Azul” carago! Mas até que o produto final nos pudesse chegar às mãos, estes jogos passaram por muitos “altos e baixos”.

Nos anos 80, um entusiasta por videojogos e programação chamado de Satoshi Tajiri começou a editar uma revista feita só por ele chamada de Game Freak, revista não profissional que tinha como principal tema os videojogos e era distribuída e vendida em alguns quiosques, até que um dia, um jovem com talento para o desenho chamado de Ken Sugimori passa por um quiosque e vê um exemplar dessa revista. Ele próprio gostava de videojogos e achou essa revista interessante, por essa razão pensou em contribuir de alguma forma para esse projeto de Satoshi e entra em contacto com ele. Rapidamente começaram a trabalhar juntos, mas nessa altura a Nintendo lançou a Family BASIC, um produto para os consumidores que os permitiam programar na linguagem utilizada na NES e servia como base para todos os jogos da “Famicon”, e Tajiri começou a estudar essa linguagem enquanto trabalhavam na revista.

1 - Revista

Ilustração 1 – Revista Game Freak

Com o passar dos anos, a revista começou a ter mais membros e a então pequena equipa da revista Game Freak concordara que na altura não saíam jogos com grande qualidade, e como tinham conhecimentos de programação então em 1989 decidem fundar a Game Freak produtora de Videojogos focando-se só no desenvolvimento de videojogos.
Com Taijiri como chefe de equipa e Sugimori como principal designer, a Game Freak realizou alguns trabalhos como o Mendel Palace ou Yoshi para a NES e também trabalharam noutras séries como The Legend of Zelda, mas o seu grande sucesso ainda estava para vir. Em 1990 Satoshi Tajiri ao passar por uma loja viu um Game Boy à venda e reparou que este poderia ligar-se a uma outra consola igual e idealizou o seguinte: criar uma aventura que se possa levar para qualquer lado e que dê jogar com os amigos. Ele pegou nessa ideia e apresentou-a aos responsáveis da Nintendo, eles não entenderam bem o conceito de início, mas gostaram da atitude visionária de Satoshi e apoiaram-no nesse projeto. Pegando nessa ideia base e no seu hobby de criança como tema (caçar e colecionar insetos), Tajiri chega a Pocket Monsters, ou simplificando, Pokémon.

Ilustração 2 – Arte conceptual de Pokémon

Este projeto demorou 6 anos a ser concluído, mas entre seu o início e a conclusão a empresa teve imensos problemas, sobretudo a nível financeiro que fez com que perdesse 5 funcionários, e para que não voltasse a acontecer, Satoshi Taijiri até decidiu que ele próprio não devesse receber salário mesmo sendo o fundador. Assim estiveram durante uns meses, só que a Creatures Inc. (uma produtora First-Party da Nintendo) decidiu apoiar financeiramente no projeto da Game Freak para que a sua conclusão se tornasse realidade e assim salvando a produtora de uma eventual bancarrota. Por isso, em 1996 foram lançadas no Japão as versões Red e Green de “Pocket Monsters”, duas versões do mesmo jogo, mas cada uma com Pokémon exclusivos para que o objetivo de “Apanhá-los Todos” (expressão que virou slogan) passasse pela troca de criaturas entre versões para promover a interação com amigos. Poucos meses depois foi lançada a versão Blue que tinha sprites melhorados, menos bugs e glitches.

Três anos após o lançamento nipónico, decidiram lançar estes jogos para os territórios ocidentais devido ao seu enorme sucesso no Japão, e em todas as outras regiões foram lançadas as versões otimizadas de Red e Blue, ficando assim de fora a versão Green pois era suficiente existirem apenas duas versões que se complementassem. Estes jogos revelaram-se nos RPG’s mais vendidos de sempre e seu sucesso foi de tal forma grande que a Game Freak e os seus novos investidores criaram a The Pokémon Company, uma empresa que detém todas as licenças da marca e gere todo marketing da série Pokémon, e foi a maior responsável para que a estreia do anime coincidisse com o lançamento destes dois jogos para impulsionar as vendas dos jogos.

3 - Anime

Ilustração 3 – Primeira temporada do Anime

Depois desta história apenas ficou uma questão por responder, o que são Pokémon? Pokémon são os animais deste universo, alguns vivem em terrenos inabitados por humanos, alguns em lagos, muitos no mar, outros em cavernas e até existem alguns que vivem em harmonia com as pessoas, mas estas não são umas criaturas quaisquer. Muitos dos humanos capturam Pokémon selvagens através de Poké Balls, uma tecnologia criada pela Silph Co. que prende os Pokémon numa bola que funciona como uma pequena jaula onde qualquer criatura cabe independentemente do seu tamanho, isto para que o seu dono possa levá-los para qualquer lugar e assim ter o seu animal de estimação sempre consigo. Mas ainda existem humanos chamados de “Treinadores de Pokémon” que capturam e treinam Pokémon de forma a ficarem mais fortes porque estas criaturas têm habilidades especiais que são utilizadas em combates entre elas.

Nestes jogos existem 151 espécies diferentes e cada uma delas tem características únicas, como o seu tipo. Existem 15 tipos diferentes e cada um tem as suas vantagens e desvantagens face aos outros tipos tal como a tabela que se segue mostra:

Ilustração 4 – Tipos

  • Onde diz 1x quer dizer que o tipo do ataque utilizado causa danos normais no tipo do Pokémon que defende;
  • Onde diz 2x quer dizer que o tipo do ataque do Pokémon que ataca causa danos fortes pois o tipo de que defende é fraco;
  • O 0x que quer dizer que não recebe qualquer dano do tipo atacante, ou seja, é imune;
  • Já o ½x significa que o tipo que defende é resistente face ao tipo atacante.

Este é um sistema que funciona como o “Pedra-Papel-Tesoura”, mas não referi dois aspetos muito importantes. Um Pokémon do tipo X pode aprender movimentos do tipo Y ou Z, e também existem certas espécies de Pokémon podem ter dois tipos em simultâneo. Por exemplo, um Pokémon do tipo Water é fraco face ao tipo Grass, mas se conhecer um ataque do tipo Ice e utilizá-lo contra um Pokémon do tipo Grass irá causar-lhe danos consideráveis de forma a ter alguma cobertura face às suas fraquezas. Agora peguemos no Gyarados como exemplo de Pokémon que defende, como ele é do tipo Water e Flying, os ataques de Grass apenas lhe causam danos normais (1x) porque embora o tipo Water seja fraco face a esse tipo, o tipo Flying é resistente a Grass criando assim um equilíbrio, mas ao mesmo tempo, esses dois tipos são fracos em relação ao tipo Electric e se sofrer um ataque desse tipo causa danos super-efetivos a dobrar (4x) por ser de tal forma fraco face a eles. Mas também temos o exemplo do Bulbasaur, por ser do tipo de Grass já era resistente face a ataques do mesmo tipo, mas como também é do tipo Poison ainda mais resistente é recebendo apenas ¼ do total de danos em vez de metade (e se for alvo de um ataque de Poison irá receber danos normais porque Grass é fraco face a esse tipo). Se o ataque utilizado for do mesmo tipo do Pokémon que o use, a força desse ataque recebe um bónus de 1,5x causando assim mais danos que um Pokémon que utilize o mesmo ataque e seja de um tipo diferente. Também é importante referir que nessa mesma tabela todos os tipos desde o Normal até ao Ghost são considerados tipos “físicos” e os que estão desde o Fire até ao Dragon são tipos “especiais” (explico já o significado disso).
Este sistema parece complexo pela quantidade de tipos existentes, mas na verdade, é uma questão de decorar e isso não é muito difícil de se fazer porque o jogo coloca-nos constantemente à prova e o aspeto dos Pokémon mostram bem qual é o seu tipo, mas nem sempre é preciso conhecer as fraquezas do Pokémon adversário porque os stats dos nossos Pokémon podem sobressair.

5 - Pedra Papel Tesoura

Ilustração 5 – “Pedra-Papel-Tesoura”

Os stats são muito importantes em batalhas e aumentam sempre que o Pokémon evolua de nível (100 é o nível máximo) ou se usem vitaminas como a Protein. E eles são:

  • Hit Points (HP) – Determina quanto dano o Pokémon pode receber antes de desmaiar, abandonando assim o combate;
  • Attack – Determina quanto dano um Pokémon causa ao outro com um ataque físico. Quanto maior for este valor, mais dano causa;
  • Defense – Determina o quão resistente o Pokémon é quando é alvo de um ataque físico. Quanto maior este valor for menos dano recebe;
  • Special – Determina quanto dano pode causar e receber quando se tratam de ataques de cariz especial. Quanto maior este valor for, mais danos especiais causa e menos recebe de ataques do mesmo cariz;
  • Speed – Determina o quão veloz é um Pokémon. Quanto maior este valor for, mais possibilidades tem de ser o primeiro Pokémon a atacar numa batalha. Para isso acontecer esse valor tem que ser maior que do seu adversário.

Outra coisa importante nos combates são os status ailment/status condition. Estas são condições que condicionam as habilidades de um Pokémon em batalha e podem ser causadas através de ataques do adversário que apenas têm o propósito de causar esse estado ou então pode um efeito secundário de um ataque que causa danos. E elas são:

  • Burn (queimado) – Condiciona os ataques de cariz físico reduzindo para metade os danos que causa, e ainda tira 1/8 de HP por cada turno. Fora de combate, por cada 4 passos que o treinador dê o Pokémon perde 1 ponto de HP. Não sendo curado, o Pokémon pode vir a desmaiar;
  • Freeze (congelado) – Torna o Pokémon completamente inútil durante uma batalha pois não pode atacar. Para o descongelar é preciso utilizar um item para esse efeito ou ser atingido por um ataque do tipo Fire, mas ainda existe uma pequena possibilidade do Pokémon se descongelar sozinho;
  • Paralysis (paralisado) – Reduz o Speed do Pokémon de forma a poder apenas utilizar 25% do total desse valor, e também existe 25% de possibilidade que o Pokémon paralisado não ataque nesse turno;
  • Poison (envenenado) – Perde 1/16 do total do seu HP por turno, contudo, um Pokémon pode ser “badly poisoned”. Quando se é envenenado pela move Toxic o veneno fica mais forte à medida que cada turno passe, no primeiro turno tira 1/16, no segundo 2/16, no terceiro 3/16 e por aí em diante. Fora de batalha, o Pokémon vai perdendo HP tal como acontece quando está queimado;
  • Sleep (adormecido) – Um Pokémon quando é adormecido fica sem poder utilizar qualquer ataque entre 1 a 5 turnos e pode acordar a qualquer momento. Um Pokémon trocado que não nos obedece pode dormir por sua própria vontade, tal como um Pokémon que use Rest para se curar, mas podem acordar a qualquer momento seja por iniciativa do Pokémon seja pela nossa intervenção;
  • Confusion (confuso) – Quando um Pokémon está confuso tem uma possibilidade de 50% de puder atacar com normalidade ou de causar danos a si próprio. Um Pokémon pode estar nesse estado entre 1 a 4 turnos e pode ver-se livre dele a qualquer momento, ou então se o treinador o trocar por outro Pokémon essa condição desaparece por completo.

6 - Paralizado

Ilustração 6 – Starmie Paralisada

Os Pokémon podem aprender vários ataques e de diversos tipos com diversos efeitos, tais como os ataques normais que causam danos, outros que provocam condições e também outros que aumentam ou diminuem os seus stats ou do adversário em batalha (como Amnesia ou String Shot), mas o seu moveset só pode ter 4 ataques em simultâneo. Para aprender um movimento novo existem duas formas, naturalmente ao evoluir de nível ou artificialmente através de TM’s (Technical Machine) e HM’s (Hidden Move). Esses TM’s e HM’s encontram-se pelo decorrer da aventura e uma vez que use um TM não se pode voltar a utilizá-lo, já as Hidden Moves podem-se usar vezes que sem conta pois são bem especiais. Existem 5 e cada ataque pode ser usado quer em batalha quer no cenário para nos ajudar a progredir, que são:

  • HM1 Cut – É um ataque do tipo Normal que serve para cortar pequenas árvores que bloqueiam caminhos, ou então ervas altas;
  • HM2 Fly – É um ataque do tipo Flying que serve para nos transportar instantaneamente para qualquer cidade com um Pokémon Center que se tenha visitado anteriormente;
  • HM3 Surf – Ataque do tipo Water que serve para nos movimentarmos pelos lagos, rios ou mares da região;
  • HM4 Strength – Ataque do tipo Normal com grande poder ofensivo que serve para mover objetos pesados (sobretudo pedras nas cavernas);
  • HM5 Flash – Ataque do tipo Normal que serve para iluminar locais escuros.

Uma vez que estes ataques sejam aprendidos jamais poderão ser esquecidos, e isso é algo a ter em conta antes de ensinar a um Pokémon. Mas estando o limite de 4 ataques ocupado, ao tentar aprender um novo ataque é necessário substituir um antigo pelo novo, e se o Pokémon quiser aprender um ataque novo que não é do nosso interesse então podemos simplesmente não o ensinar. Uma outra nota importante sobre os ataques é o PP, este que é um valor que indica o número máximo de vezes que podemos utilizar determinado ataque, e se o Pokémon chegar ao limite de todos os seus movimentos então começa a usar Struggle, um ataque que causa danos ao adversário e a si próprio.

Também existem duas mecânicas invisíveis que são a Accuracy e o Critical Hit Ratio que podem ser modificadas sempre que se use um ataque numa batalha. Cada ataque tem a sua precisão e por norma ataques muito fortes como Fire Blast ou Blizzard têm probabilidades de acertar mais reduzidas que a maioria dos outros ataques, e usando ataques como Minimize ou Sand Attack um Pokémon pode aumentar a sua “Evasion” ou diminuir a precisão dos adversários para assim esquivar-se dos ataques de que é alvo, mas também existe o item X Accuracy que aumenta essa precisão do Pokémon em que é usado. Já o Critical Hit é um evento que acontece de forma aleatória (quanto mais veloz for o Pokémon, mais frequente é) e significa que o ataque usado causou o dobro dos danos que normalmente causa e ignora todas as circunstâncias que modificam stats. Por exemplo, se o nosso Pokémon estiver queimado e o do adversário tiver usado uns Defense Curl para aumentar a sua defesa, ao ocorrer um golpe crítico o Attack do nosso Pokémon deixa de estar reduzido em metade e a Defense do adversário volta à normalidade apenas naquele instante. Para aumentar a ocorrência deste fenómeno também se pode utilizar um Dire Hit.

Um outro grande aspeto que distingue uns Pokémon dos outros é a Evolução. Este evento torna os Pokémon mais fortes de uma forma considerável, instantânea e permanente. Existem criaturas que em vez de evoluir uma só vez (como Clefairy ou Pikachu) podem evoluir duas vezes (como os Pokémon iniciais ou Nidoran macho e fêmea), mas também existem outros Pokémon que nem evoluem (como o Magmar, Pinsir ou Electabuzz). Os que evoluem não só o fazem a crescer um nível como também através de pedras especiais se podem comprar ou encontrar pelo cenário, e ainda existem 4 espécies de Pokémon que apenas evoluem para a sua fase final quando se troca com alguém (que são o Machoke, Haunter, Graveler e Kadabra). É de referir que premindo o botão B do Game Boy quando um Pokémon que aumentou de nível tenta evoluir, a evolução é cancelada, o que pode ser benéfico em alguns casos pois aprendem certos ataques mais cedo que a forma evoluída ou até mesmo ataques exclusivos dessa forma mais primitiva.

7 - Evolução

Ilustração 7 – Caterpie acabada de evoluir para Metapod

Estas são as noções básicas sobre os Pokémon e como batalham, batalhas estas que acontecem por turnos onde se move primeiro o Pokémon mais rápido e só depois o outro, e nós no papel de treinador temos de dizer qual movimento deve de usar nesse turno da batalha, utilizar algum item que auxilie o nosso Pokémon (como Potions, Antidotes, etc.) ou ainda trocar o Pokémon ativo por outro (seja por nossa vontade ou quando o Pokémon que estava em campo desmaia). No caso de batalhas com Pokémon selvagens ainda podemos tentar fugir dela, mas nas batalhas entre treinadores isso não é possível e vencendo esses desafios somos recompensados com dinheiro.
Isto pode até parecer um pouco complexo, mas é muito simples de apanhar o jeito. Mas qual é a razão de nós assumirmos o papel de um treinador?

O início desta aventura começa em Pallet Town, a terra natal do nosso personagem que se situa na região de na região de Kanto, e neste universo existe a tradição das crianças aos 10 anos de idade saírem de casa para terem as suas próprias aventuras. Quando esse dia chega, o Professor Oak convoca-nos ao seu laboratório juntamente com o seu neto e lá ele introduz-nos aos Pokémon acabando por nos oferecer um, não só para o criarmos como também para nos proteger de Pokémon selvagens durante a viagem. Podemos escolher um entre Bulbasaur do tipo Grass (e Poison), Charmander do tipo Fire e Squirtle do tipo Water, e o neto do professor acabará sempre por escolher o Pokémon que tem vantagem de tipo face ao nosso e desafia-nos de imediato para uma batalha. Depois disso o professor pede-nos para ir à cidade mais próxima buscar-lhe uma encomenda, e assim que chegamos a Viridian City somos introduzidos a dois dos mais importantes edifícios que podemos encontrar por toda a região, Pokémon Center onde podemos restaurar o HP, PP e status condition na totalidade e gratuitamente de todos os Pokémon que estejam connosco, e o Pokémon Mart que é o local onde podemos comprar todos os itens necessários para um treinador.
Uma vez que se entregue a encomenda ao professor Oak, este propõe-nos ser um treinador de Pokémon, mas fazer os seus Pokémon ficarem mais fortes não é a única missão de um treinador… Por toda a região existem 8 Gym Leaders, estes são dos treinadores mais fortes que podemos encontrar e ao derrota-los somos recompensados com um Badge que não só prova a nossa vitória sobre os líderes, mas também a nossa mestria enquanto treinador. Quanto mais Badges se tiver, mais se é respeitado pelos Pokémon trocados com outros treinadores acabando assim por obedecer na totalidade ao novo treinador, e colecionando todos os 8 Badges pode-se exercer o direito de desafiar a Elite 4 que são os treinadores mais fortes que podemos encontrar. Ao vencê-los, somos considerados o Champion da região. Para além disso, o professor pede para completar todas as páginas da sua criação, a Pokédex. Nela podemos registar todos os Pokémon e para isso precisamos de os capturar e evoluí-los. Para capturar um Pokémon é recomendado enfraquece-lo sem o derrotar, e só depois é que se atira a Poké Ball (ou variantes). Uma vez que ela agite três vezes significa que a captura foi feita com sucesso, mas existe muito Pokémon por encontrar e não é tarefa fácil “apanhá-los todos”, ainda para mais quando existe uma organização maligna de nome Team Rocket que irá atravessar no nosso caminho algumas vezes.

8 - Team Rocket

Ilustração 8 – Um capanga da Team Rocket

Muitos RPG’s têm a tendência de terem um mapa-múndi onde se pode ir do ponto A ao ponto C sem ter que passar pelo ponto B para que a movimentação pelas cidades e grutas seja rápida, mas em Pokémon está tudo interligado por ruas, todas elas identificadas por números. Nas “Routes” podemos encontrar Pokémon selvagens se pisarmos as ervas altas, atravessarmos lagos, rios ou mares ou então pescando (e estando pelo caminho “limpo” não existem encontros aleatórios com Pokémon), mas também treinadores que nos desafiam para batalhas se passarmos pelo seu campo de visão ou interagirmos com eles. Estando todas as localidades ligadas o sentido de progressão é notório porque os níveis dos Pokémon selvagens ou de treinadores vão aumentando de forma bem gradual. Também passa a ser mais comum encontrar classes de treinadores mais exigentes sendo os Cool Trainers os mais difíceis pela variedade de Pokémon apresentadas, e os Youngster os mais fáceis por utilizarem ataques de forma bastante aleatória e Pokémon nas suas formas mais primitivas. Existem muitas classes diferentes e uma vez que se vença um treinador não se pode fazer mais batalhas com ele, e o mesmo se aplica aos Gym Leaders que estão sempre em cidades à espera de serem desafiados. São os “Bosses” deste universo. Entre as Routes ou até mesmo no decorrer delas também existem “dungeons” como florestas ou cavernas, e nas cavernas podem aparecer Pokémon selvagens de qualquer ângulo.

Mas a particularidade que distingue a série Pokémon de todos os outros RPG’s é a possibilidade de criarmos a “party” que bem entendermos. No máximo podemos ter connosco 6 Pokémon em simultâneo (todos os outros que tivermos ficam guardados digitalmente nos PC’s dos Pokémon Center) e os combates são sempre de um contra um, mas a possibilidade de criar uma equipa com os Pokémon que mais gostamos ou que se ache que complementem uns aos outros é simplesmente fantástico. Podemos até ter mais que um exemplar do mesmo Pokémon e dar um nome ao nosso gosto a cada um para distinguir um Pokémon do outro, e se não tivermos interesse em manter um determinado Pokémon podemos libertá-lo ao utilizar o PC (que também serve para armazenar itens) ou trocá-lo com alguém e criar o Pokémon de outra pessoa. E isso até é benéfico porque um Pokémon trocado ganha mais experiência que um Pokémon que seja mesmo nosso. As possibilidades são muitas e depende só da imaginação e da vontade de quem joga, dando assim uma enorme liberdade ao jogador em todos os sentidos. Dessa forma, os encontros aleatórios não servem só para fazer “grinding”, mas sim para encontrar eventuais parceiros de batalha e existem muitos espalhados pelo cenário estando algumas espécies bem escondidas que só podem ser obtidas através de métodos únicos.

9 - Route 11

Ilustração 9 – Route 11, recheada de Pokémon selvagens e treinadores

Por essas razões é que a longevidade destes jogos não tem um valor “fixo” porque depende muito da forma que o jogador aborda a sua aventura, cada um tem a sua maneira de jogar e os seus próprios objetivos. É de referir que a campanha termina uma vez que se vença a Elite 4 e a missão de “apanhá-los todos” é opcional, dessa forma não existe uma forma correta de jogar Pokémon também tornando assim os confrontos entre jogadores uma discussão de ideais.

Como referi algumas vezes, é possível ligar um Game Boy ao outro utilizando um cabo conhecido como “Cable Link” para trocar Pokémon. Uma vez ligado, basta dirigir-se ao balcão do lado direito de qualquer Pokémon Center e interagir com a rapariga que está perto do PC, e para além de trocar Pokémon também se pode realizar batalhas através deste mesmo método. Nestas batalhas entre jogadores não é possível utilizar itens e os Pokémon que se tiver em posse são os que irão a batalha, e o turno só começa uma vez que os dois jogadores escolherem o que vão fazer. O mesmo se aplica ao trocar Pokémon, a troca só se realiza quando os dois oferecerem um Pokémon e se concorde com o que está proposto. Se o cabo for removido antes que a troca seja dada como terminada ou a batalha chegue ao fim, o jogo irá dar um erro.

Ilustração 10 – Dois Game Boy ligados através de um cabo

Visualmente Pokémon Red e Blue é de alguma forma surpreendente tendo em conta que foi desenhado para a versão mais primitiva do Game Boy. O jogo está todo a preto e branco, mas jogando num Game Boy Color ou numa SNES com Super Game Boy é atribuída uma palete de cores que abrilhanta esses jogos, mas é pena que não tenha cores de raiz pois todas as cidades têm nomes que correspondem a uma cor. Apesar disso tem menus bastante simples e intuitivos dentro e fora de batalhas e, para um jogo de 8 bits, o cenário está bastante completo e tem muitos detalhes interessantes sendo fácil a memorização de todos os locais que mais interessam ao jogador. Mas estes jogos pecam bastante num único departamento que são os sprites dos Pokémon pois se os compararmos com as artworks oficiais desenhadas por Ken Sugimori, vemos que não estão bem desenhados. Por exemplo, o Koffing que tem a sua face de pernas para o ar, o Pidgey parece um pombo comum ou o Geodude que parece estar possuído, mas ainda temos os sprites traseiros do protagonista e dos nossos Pokémon que estão muito “pixelizados” (algo nada bonito de se ver), e também aqueles sprites estão junto ao nome do Pokémon no menu da nossa equipa são muito genéricos. Já as animações são bastante interessantes e dão vida aos combates onde os Pokémon ficam estáticos, de salientar os ataques e as agitações do ecrã de jogo que procura transmitir o impacto dos ataques. No cenário as animações são bastante básicas onde apenas se vê personagens a mover-se ou as ondas da água, o resto funciona tudo à base de texto, o que é natural tendo em conta o género do jogo e em que plataforma se encontra.

11 - Koffing

Ilustração 11 – O Koffing de face inversa

Por mais incrível que possa parecer, Pokémon Red e Blue está recheado de músicas. Temos à volta de 30 faixas que estão associadas a batalhas, cidades, ruas, cavernas e muito mais, e todas elas assentam perfeitamente no local onde tocam o que é impressionante, são intemporais e quem jogou estes jogos ainda hoje se deve de recordar delas. O jogo também oferece muitos efeitos sonoros em batalhas que caracterizam não só os ataques utilizados como também os próprios Pokémon que têm um grunhido único que é feito sempre que entra numa batalha ou desmaie, isto para além do som de Poké Balls e o “jingle” que transmite o nosso sucesso a vencer uma batalha ou a capturar um Pokémon. Está aqui um trabalho muito completo, mas se o nosso Pokémon estiver com o HP muito baixo então um sinal sonoro que transmite essa ideia toca até que se restaure o HP ou o Pokémon desmaie, o que se torna chato rapidamente. O mesmo aplica-se à música da bicicleta (item que permite mover mais rápido pelo cenário) que toca constantemente até que se deixe de andar nela ou se entre em batalha (retomando logo de seguida). Para além disso, sinto falta destes mesmos efeitos sonoros no cenário, seria interessante ouvir os grunhidos dos Pokémon nos locais que habitam para dar uma sensação de um mundo vivo e termos noção que espécies habitam em cada local.

Como qualquer jogo, Pokémon Red e Blue também têm os seus problemas, e sendo estas as primeiras entregas e dos diversos problemas que tiveram durante o desenvolvimento, existem muitos mais problemas do que aqueles que apontei anteriormente. Algo muito importante na nossa aventura é a mochila para carregar os nossos itens que é muito limitada, só se pode carregar 20 itens diferentes (os iguais acumulam) o que obriga o jogador a recorrer com frequência a um PC para depositar itens que não precisa ou então vendê-los num Poké Mart. O sistema de armazenamento de Pokémon nos PC está dividido por Boxes onde podemos colocar os nossos Pokémon. Existem 12 e cada um pode armazenar até 20 Pokémon, mas temos de trocar de Box ativa com frequência pois uma vez que fique cheia, se tentarmos capturar um Pokémon selvagem recebemos uma mensagem durante a batalha que não podemos tentar capturar o Pokémon porque a Box está cheia, algo muito chato, sobretudo quando nos aventuramos pela Safari Zone.
Outra coisa que chateia muito este jogo é que existe a sensação da IA fazer “batota” porque os Pokémon adversários têm PP’s infinitos e podem usar ataques fortes com uma enorme frequência, mas também os Pokémon mais difíceis de apanhar por vezes nem entram na Poké Ball que se atira, o que leva a querer que nem sempre estamos a jogar nas mesmas regras.
Os HM’s também chateiam de alguma forma. Para os utilizar temos de estar frente do sítio onde queremos usar, ir ao menu e selecionar o devido ataque. É algo muito chato pois bastava interagir com aquilo onde se vai usar o HM para o utilizar. O mesmo serve para Key Items como a Bicycle ou o Town Map. Também é preciso ir ao menu para os utilizar e podemos alterar a ordem dos nossos itens colocando os que mais interessam no topo, mas mesmo assim, seria mais fácil poder atribuí-los a uma tecla porque ao movimentar-se pelo cenário apenas se utiliza o botão A para interagir ou o Start para ir ao Menu.

Mas o pior em Pokémon Red e Blue é a falta de ataques para diversos tipos de Pokémon, e os diversos bugs e glitches. Tipos como Poison, Bug e Dragon são muito limitados e não tiram grande proveito do STAB (Same Type Attack Bonus) e quem usa Pokémon desses tipos normalmente ensina ataques de tipos diferentes para que tenham utilidade nas batalhas. Já bugs existem muitos, jogando normalmente até nem se dá pela existência deles, mas eles estão lá e o pior é mesmo aquele que interfere os Pokémon que têm dois tipos. Quando um Pokémon com dois tipos recebe danos de um ataque que é muito eficaz face a um tipo e não é tanto face ao outro, apenas o 2º tipo dele terá isso em consideração em vez de calcular danos neutros. Por exemplo, se o Moltres for alvo de um Ice Beam, ele irá receber danos muito eficazes apesar de ser do tipo Fire que por norma é resistente, mas como o seu 2º tipo é Flying que é fraco face ao tipo Ice vai ativar esse bug. Também existe o glitch do MissingNo que permite multiplicar o 6º item da nossa mochila, mas se capturarmos esse “Pokémon” os dados do nosso progresso de jogo podem corromper. Existem muitos mais problemas com este jogo, mas estes são os mais graves.

Conclusão

A menos que haja curiosidade ou um sentimento de nostalgia, não existe motivos para voltar a jogar Pokémon na sua forma mais primitiva, mas apesar de tudo, para o início de uma nova série Pokémon Red Version e Pokémon Blue Version foram uns bons jogos que criaram e estabeleceram uma fórmula única no mundo dos videojogos e foram os que fizeram muita gente apaixonar-se por esta série maravilhosa.

E agora não existe melhor forma de ter acesso a estes dois jogos já que estão disponíveis a partir de hoje na eShop da Nintendo 3DS, e têm a particularidade de poder comunicar a nível local com uma outra 3DS com uma versão do mesmo jogo. Para além destas duas versões também está disponível a versão Yellow, que também já tem a sua análise publicada no site.

sig-BAlvez

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