Análise a Pokémon X & Y (3DS)

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Desde há muito que o desejo dos fãs de Pokémon era ter uma aventura sólida num ambiente em três dimensões, e até existiram dois jogos assim para a Nintendo GameCube, mas a abordagem era bastante diferente àquilo que conhecemos e passaram despercebidos. Mas em janeiro de 2013 a Game Freak e a Nintendo tiveram algo muito importante a comunicar ao mundo.
Nesse dia 8 de janeiro a Nintendo realizou uma “Pokémon Direct” e nela revelaram as novas entregas da série chamadas de Pokémon X e Pokémon Y. Estes jogos apresentam uma nova aventura numa região desconhecida totalmente e (finalmente) em três dimensões que acabariam por ser lançados a nível mundial a 12 de outubro de 2013. Algo inédito nesta franchise!
Pelo facto destes novos jogos fazerem a transição para 3D, um grande impacto foi causado no mundo dos videojogos pois não só criou “hype” nos seguidores da série, mas também captou a atenção de volta de quem deixou de jogar Pokémon e também das pessoas que nunca tiveram contacto com a série antes. Só por aqui dá para ver que mesmo a 10 meses de distância, Pokémon X e Y foram dos jogos mais esperados de sempre, mas será que o jogo cumpre as expectativas? É isso que gostaria de tirar aqui a limpo, mas antes, quero dar a conhecer um pouco desta nova aventura.

Ela tem início em Vaniville Town, uma aldeia da região de Kalos, pouco depois da família do protagonista se ter mudado para lá. Depois de uma primeira noite bem dormida e de colocar um pé fora de casa, vemos que estão duas pessoas à nossa porta, a Shauna (uma rapariga bem animada) e Serena/Calem (será a do sexo oposto do nosso personagem). Estas personagens foram dar as boas-vindas ao novo vizinho e dizem que em Aquacorde Town estão Tierno e Trevor, dois rapazes a pedido de Augustine Sycamore (o professor desta região) com o objetivo de dar aos três os seus primeiros Pokémon e a Pokédex. Os Pokémon iniciais desta região são Chespin do tipo Grass, Fennekin do tipo Fire e Froakie do tipo Water, e uma vez que esta difícil decisão seja tomada, o objetivo do jogador é ir a Lumiose City encontrar-se com o Professor Sycamore para o conhecer pessoalmente.
Uma vez que se chegue ao laboratório do professor nessa enorme cidade, este propõe uma batalha onde ele vai utilizar os Pokémon iniciais de Kanto, Bulbasaur, Charmander e Squirtle, e uma vez que Sycamore seja derrotado ele oferece um desses Pokémon que ele utilizou. Juntamente com o Pokémon escolhido, o professor também oferece uma pedra misteriosa, a Venusaurite (caso o escolhido seja o Bulbasaur), a Charizardite X ou Y (se escolhermos o Charmander e cada uma das letras corresponde à respetiva versão que se joga) ou a Blastoisinite (referente ao Squirtle) que têm algo a ver com um misterioso fenómeno chamado de Mega Evolução. Esta temática é o foco dos estudos deste professor e diz-se que este tipo de evolução faz os Pokémon evoluir para além do seu último estágio de evolução, embora de forma temporária. Como ele sabe que este fenómeno passa muito pelos laços que o treinador cria com os seus Pokémon e ele não é um treinador, Sycamore pede ao protagonista para que o ajude na sua pesquisa enquanto se tira o maior proveito da sua jornada. E este é o principal foco do enredo deste jogo.

Figura 1 – A região de Kalos

Sendo a transição para o 3D o ponto de maior destaque nestas entregas, vou começar a análise falando do grafismo deles. A região de Kalos é inspirada em França, país conhecido por ter um elevado número de turistas de todos os cantos da terra muito pela famosa Cidade da Luz, Paris, que está recheada de edifícios, locais e paisagens belas. Por causa desta fama, Kalos é uma região lindíssima com monumentos espetaculares (onde até podemos tirar fotos junto deles), cenários variados e de encher o olho (temos montanhas, praias, locais a norte com neve, florestas, etc.) e até mesmo simples casas de NPC’s estão muito bem estruturadas com detalhes minuciosos e isso é de encher o olho. O mesmo se aplica às próprias NPC’s, cinemáticas e ao protagonista que estão igualmente bem desenhadas com animações muito interessantes, mas, finalmente, podemos chamar o protagonista de “nossa personagem” porque, pela primeira vez na série, podemos personalizá-la da forma que entendermos.
Quando iniciamos o jogo, para além da escolha habitual do género do nosso personagem, também temos de escolher uma de três variantes onde variam a cor da pele, do cabelo e dos olhos, mas o principal ponto que devemos ter atenção é à cor da pele porque ao longo do jogo podemos mudar a cor dos seus olhos utilizando lentes de contacto, a cor do cabelo e penteado, mas também é possível comprar roupas nas lojas dedicadas em toda a região de Kalos e criar um visual à nossa medida. O tom de pele já não é possível alterar. Esta era uma funcionalidade muito pedida, e finalmente a Game Freak respondeu ao pedido em grande estilo.

2 - RoupasFigura 2 – Exemplo de visual feminino

Já nas batalhas, agora sim temos modelos dos nossos Pokémon e não “sprites”, o salto foi enorme pois eles estão em constante movimento e têm animações diferentes seja para ataques físicos, especiais, de status, a receber danos ou a desmaiar. Por causa disso os Pokémon parecem ser seres vivos e mesmo os ataques parecem fenómenos naturais destas criaturas, e este é o fator de maior destaque em X e Y porque é um sonho tornado realidade. Já não é preciso mais utilizar uma consola doméstica da Nintendo e um “spin-off” da série para os ver assim. Mas existe algo que me surpreendeu ainda mais nos combates, como tem sido habitual, eles podem acontecer no meio da rua, num beco de uma cidade, dentro de uma infraestrutura, num lago, no mar, na praia, enfim, independentemente do local onde nos encontramos, o cenário da batalha será diferente correspondendo ao local em questão! Eu achei isto fenomenal e até existem locais que têm pedras e árvores por trás do Pokémon adversário, e se usarmos um ataque como o Air Slash ou o Rock Slide nessas situações, podemos encontrar Berries, pedras evolutivas e muito mais. A interatividade com o jogo aumentou e isso deve-se muito aos gráficos, e o maior exemplo é o Pokémon-Amie, mas disso irei falar mais à frente.

3 - Modelos PokémonFigura 3 – Modelos dos iniciais de Kalos

Quanto à jogabilidade, a primeira coisa que controlamos é o nosso personagem e o primeiro impacto não é o melhor. Notei o controlo da personagem algo preso porque continua-se a mover de “quadrado em quadrado” embora já se possa movimentar em 8 direções diferentes e os “Running Shoes” estão disponíveis desde o início. Mas a principal novidade na movimentação são os Patins que andam num ângulo de 360 graus pelo cenário fazendo jus ao analógico das Nintendo 3DS, mas em contrapartida, ao caminharmos sobre ervas altas andamos lentamente pois os patins não conseguem andar bem sobre elas. Por isso é que depois de ter os patins, o D-Pad da 3DS serve para movimentar o nosso personagem sem eles para facilitar a movimentação nesses momentos e em certos Puzzles. Mas com os Patins podemos aprender truques para tornar o movimento do protagonista mais vistoso ou para andar de forma mais eficiente, mas eles também servem para percorrer certos corrimãos para assim aceder a áreas escondidas. São uma adição interessante, mas este sistema é pouco intuitivo e se usarmos o Itemfinder então o protagonista só se movimenta de “quadrado em quadrado” mesmo usando o analógico e os patins acabam por ser esquecidos. Preferia que pudéssemos andar de normalmente com o personagem nos 360 graus pois simplificava o movimento da personagem e daria uma enorme sensação de liberdade.
Para além dessa novidade, existe a habitual bicicleta que se destaca por ter um movimento constante e mais suave em 360 graus, mas também Pokémon que podemos montar (salvo seja) em certas áreas, como o Rhyhorn numa zona montanhosa ou um Skiddo numa zona mais rural, que para além de nos ajudar na progressão também nos podem ajudar a alcançar áreas que só são alcançáveis por eles.

4 - Montar PokémonFigura 4 – O protagonista a usar um Skiddo

Já em batalhas, este sistema sofreu algumas alterações e teve muitas novidades. A que teve maior destaque foi, naturalmente, a Mega Evolução, mas a que teve um maior impacto foi a introdução de um novo tipo, o tipo Fairy (Fada). Este novo tipo não só é associado a alguns dos novos Pokémon (foram introduzidos cerca de 70 novos Pokémon, mas a Pokédex da região tem à volta de 450 Pokémon no total) e a novos ataques, mas também foram integrados a muitos Pokémon já conhecidos e também alguns movimentos, são exemplos o Marril (agora Water e Fairy), Mawile (Steel e Fairy) e Snubull (agora é um Pokémon “puro” do tipo Fairy), quanto a ataques temos o Charm e o Moonlight (que continuam a ter o mesmo efeito). A introdução deste novo tipo teve como principal objetivo balancear o jogo do “pedra-papel-tesoura” que faz o sistema de combate de Pokémon. O tipo Fairy é imune face ao tipo Dragon que era até então um tipo demasiado “overpowered” porque só o tipo Steel o resistia, e também é super-eficaz face ao mesmo tipo Dragon e aos tipos Dark e Fighting pois estes três tipos só tinham duas fraquezas até então. Por outro lado, o tipo Fairy é fraco face a ataques do tipo Steel e Poison que eram dois tipos que tinham pouca eficácia face a muitos dos outros tipos.

Figura 5 – O mais recente “Type Chart”

Nestes novos jogos foram remodelados alguns detalhes importantes às batalhas tais como os Pokémon do tipo Electric já não poderem ser mais paralisados e os de Grass agora são imunes a qualquer ataque que estejam relacionados com pós tais como Spore e Poison Powder. Alguns ataques foram revistos como o Thunderbolt agora passa a ter um ataque de base 90, e habilidades que ativam condições climatéricas como Sand Stream ou Drizzle duram apenas 5 turnos e já não são mais permanentes.
Este novo tipo assenta que nem uma luva na estrutura do jogo porque não só é um tipo bem equilibrado como também conseguiu e bem equilibrar toda esta ideia que sustenta a série, e estas alterações face aos ataques e “status aliment” também ajudam bastante que o sistema de combate seja mais justo e a adição deste tipo a Pokémon já existentes dá-lhes uma utilidade que não tinham até agora. Numa altura em que batalhas online são um grande foco da série, tudo isto assenta bem, mas uma outra grande novidade que veio agitar o jogo foram as Mega Evoluções.

Existem certos Pokémon capazes de o fazer e para isso acontecer eles precisam de segurar uma Mega Stone que corresponda à sua espécie, e o nosso personagem precisa de ter um Mega Ring (coisa que se obtém no decorrer da campanha). Este novo tipo de evolução é temporário e apenas pode ser ativada no decorrer de um combate. Cada treinador só tem a capacidade de fazer Mega Evoluir um dos seus Pokémon por batalha, mesmo tendo uma equipa de 6 e todos eles aptos para alcançar esse nível. Para ativar tal coisa basta premir o botão “Mega Evolution” no menu dos movimentos do nosso Pokémon e selecionar o ataque pretendido, e nesse mesmo turno que se inicia acontecerá tal fenómeno que, para além de mudar o aspeto do Pokémon, dá um grande boost aos stats do nosso Pokémon. Mas em algumas espécies também podem mudar a habilidade e o seu tipo como acontece no caso do Mega Ampharos que se torna num Pokémon do tipo Electric e Dragon, e passa a usufruir da habilidade “Mold Breaker”.

6 - Mega EvoluçõesFigura 6 – Mega Venusaur, Mega Charizard Y e Mega Blastoise

Apesar da minha primeira impressão na altura em que foi revelada não tenha sido a melhor, eu adorei a Mega Evolução porque os Pokémon mais antigos ganham uma nova vida e voltam a ser opções bem válidas no presente. Isto que disse pode não se aplicar a todos os Pokémon capazes de Mega Evoluir porque existem Pokémon que mesmo sem a Mega Evolução já são bons e até podem beneficiar mais de um outro item que deste fenómeno, mas isso depende sempre da ideologia de cada treinador. Também é de referir que só Pokémon introduzidos até à 4ª geração são capazes de Mega Evoluir nestes jogos.

Para além disto, adicionaram três novos tipos de batalhas que veremos no decorrer da aventura, as Sky Battles onde apenas Pokémon que voam podem entrar (do tipo voador ou que tenham a habilidade Levitate, mas certos Pokémon como Hawlucha ou Gengar não são capazes de participar), as Inverse Battles onde invertem as fraquezas dos Pokémon quanto a tipos e que muda por completo a nossa noção sobre batalhas de Pokémon, e ainda os Horde Encounters. Estes são encontros que acontecem de forma aleatória ou provocados pelo uso do item “Honey” ou usar o ataque “Sweet Scent” fora de batalha, onde uma horda de 5 Pokémon nos ataca e só podemos utilizar 1 Pokémon contra eles. Estes Pokémon são mais fracos que os Pokémon que se encontram normalmente nessa área, mas ganha-se mais experiência nestas batalhas que a defrontar um só Pokémon da mesma espécie a um nível mais alto. Estas hordes também são especiais porque alguns Pokémon podem ter a sua Hidden Ability, existe uma maior probabilidade de encontrar um Pokémon shiny, mas também existem detalhes curiosos como se encontrarmos Zangoose e Seviper nessas batalhas eles atacam-se mutuamente em vez de focar os ataques contra o Pokémon do jogador. Isto acontece porque é sabido no universo Pokémon que estas são duas espécies que se odeiam mutuamente, e agora temos a prova viva disso mesmo.

7 - HordeFigura 7 – Uma Horde Battle de Tauros e uma Miltank

Mas já que falei em experiência, é de referir que nestes jogos a experiência recebida por batalha sofreu grande lavagem que no geral é positiva. Antes, sempre que entrava mais do que um Pokémon em combate para defrontar o Pokémon do oponente, ao derrota-lo os nossos Pokémon recebiam a experiência total dividida entre eles, não era? Em X e Y todos os Pokémon que entram em batalha recebem a mesma experiência por inteiro ao derrotar o Pokémon adversário, nada de divisões, o mesmo se aplica quando se captura um Pokémon pois agora recebe-se experiência por esse feito porque, tecnicamente, existiu uma batalha. Para além disso, a maior novidade é o novo Exp. Share, agora um Key Item que quando ativado dá 50% do total de experiência ganha a todos os Pokémon que não participaram na batalha sendo assim bem mais útil para fazer os Pokémon da nossa equipa evoluir de nível.

Outra coisa que sempre foi debatida em Pokémon são os EV’s, ou melhor, Effort Values. Estes “pontos de esforço” aumentam os Stats dos Pokémon para valores além do que é comum, e só os grandes aficionados em Pokémon é que se davam ao trabalho de explorar e tirar o maior proveito dessas mecânicas. Nestes jogos existem formas mais eficientes de trabalhar nisso ao tirar proveito das Hordes, do Pokérus e do Exp. Share, mas em X e Y o treino de EV’s tornou-se muito mais acessível graças ao Super Training. Disponível a qualquer momento do jogo através dos botões L, R ou utilizando as setas que se encontram nos cantos superiores do ecrã táctil da consola, permite não só trabalhar os EV’s dos nossos Pokémon através de minijogos e sacos de boxe que se vão encontrando com o uso dessa aplicação, como também permite visualizar através de um diagrama de que forma estão distribuídos esses pontos. Também é indicado quando se chega ao máximo de EV’s por distribuir cumprindo assim o regime de treino para esse Pokémon, aí podemos realizar mais minijogos do género com uma maior exigência onde batidos os recordes podemos ganhar pedras evolucionárias e outras recompensas. Mas gostaria de destacar os sacos de boxe brancos que têm a particularidade de ao serem utilizados num Pokémon com EV’s distribuídos, os EV’s desse Pokémon voltam “à estaca zero” para que se possa realizar um regime de treino de novo e assim fazer uma distribuição diferente desses valores.

Figura 8 – Ecrã do Super Training legendado pelo “Alvanista”

Para além do Super Training, a tela inferior da 3DS ainda tem mais duas “aplicações” que são o PSS e o Pokémon Amie. O PSS, sigla de Player Search System, é versão melhorada do C-Gear da 5ª geração, e que melhoria! Sempre que estamos com as ligações sem fios da 3DS ligada, podemos ver todos os jogadores que estão perto de nós fisicamente, mas se ligarmos à internet podemos encontrar diversas pessoas que estejam online sejam desconhecidos ou amigos. Caso a pessoa esteja ligada podemos convidar para fazer trocas ou batalhas e isto num formato tão simples, intuitivo e rápido que melhora consideravelmente a experiência de Pokémon. Para além de ligações mais diretas com amigos e desconhecidos, temos o GTS à distância de um clique (onde agora podemos procurar e pedir Pokémon que ainda não vimos no jogo) ou o Wonder Trade que é um sistema de trocas aleatório onde envia-se um Pokémon para trocar e não se sabe com quem vamos trocar e aquilo que vamos receber, e outras mais opções que este jogo pode oferecer. Uma melhoria que também foi muito bem-recebida neste novo sistema foi o ajuste automático dos níveis dos Pokémon para o nível 50 nas batalhas, mas só ajusta para Pokémon que estejam acima desse nível.

Já o Pokémon Amie é uma funcionalidade que nos permite interagir com os nossos Pokémon, podemos fazer-lhes festas, participar nos três diferentes minijogos de forma a conseguir Poképuffs e alimentá-los. Qualquer Pokémon pode entrar no Pokémon Amie e é de louvar o trabalho da Gamefreak neste campo porque vê-se o carinho que eles tiveram em recriar todos os Pokémon. Não foi só criar modelos 3D dos Pokémon e colocar umas animações, deram vida a cada um deles e existem detalhes característicos de cada Pokémon, por exemplo, se mexermos nas bochechas de um Pikachu levamos um choque, ou num Pokémon com chamas no corpo podemos queimar-nos. A recompensa por interagir com eles são benefícios nas batalhas durante a campanha, ganha-se experiência com mais facilidade, os Pokémon desviam de ataques e acertam golpes críticos com mais frequência e ainda podem curar-se de Status Ailment naturalmente.

9 - Pokémon AmieFigura 9 – Sylveon, a nova evolução de Eevee do tipo Fairy no Pokémon Amie

Pelo o que tenho vindo a escrever, dá para ver que estes jogos têm muito conteúdo, mas, existe um pequeno grande problema que é o “Post-Game”. Após concluirmos a campanha somos apresentados a um novo local no mapa chamado de Kiloude City, cidade que fica no sul de Kalos e nela existe a Battle Maison que é a Battle Tower/Battle Subway de X e Y, onde o objetivo é derrotar vários treinadores em batalhas fervorosas para depois defrontar os Líderes. Também temos a Friend Safari, este novo estilo de Safari Zone foi uma adição muito interessante pois prima pela interação entre jogadores porque cada amigo que tivermos adicionado na 3DS, sejam jogadores de Pokémon ou não, será um dos nossos amigos de Safari. A cada amigo é atribuído um conjunto de 2 Pokémon mais 1 (esse 3º Pokémon só fica disponível após o nosso amigo vencer a liga) de um determinado tipo e cada Pokémon que encontramos tem dois IV’s (Individual Values) perfeitos. Caso o estivermos online juntamente com esse nosso amigo, as probabilidades de encontrar Pokémon com Hidden Abilities e Pokémon Shiny são mais altas. Por falar em habilidades, na Battle Maison existem novos itens dedicados a batalhas onde se destacam o Eject Button ou a Weakness Policy, mas também existe um item que custa 200BP’s chamado de Ability Capsule. Este permite-nos alterar a habilidade a um Pokémo, desde que ele tenha duas habilidades diferentes e nenhuma delas seja uma Hidden Ability. Também é importante referir que graças a esta acessibilidade a “IV’s perfeitos” as próprias mecânicas de breeding sofreram ligeiras alterações, onde o destaque vai para o Item “Destiny Knot” que agora tem a capacidade de transferir 5 IV’s para o filho entre os 12 dos pais, sendo assim mais fácil criar de forma legítima Pokémon com stats no máximo. Para além disto, na Route 7 temos o Battle Chateau que após a conclusão da liga começam a aparecer os Líderes de Gym, Elite 4 e até mesmo a Champion para desforras. Existe mesmo muitas coisas que se podem fazer nestes novos jogos desde que o jogador trace os seus próprios objetivos, mas eles não oferecem novos locais para explorar, a continuidade da história principal e nem mesmo variedade do que se pode fazer.

Algo que pode tornar a aventura menos interessante (e ela já não é muito interessante porque a Team Flare, equipa inimiga destes jogos, não acrescenta muito valor ao enredo) é o novo Exp. Share. Ele é um item excelente que veio facilitar e muito a nossa aventura que quando ativado conseguimos uma equipa bem evoluída sem grande esforço e a sua ativação é, felizmente, opcional e pode ir ao encontro da forma de jogar de cada pessoa. Digo isto porque acaba por ser de uma certa forma a dificuldade do jogo, desativado é o “modo normal” e ativado é o “modo fácil” porque a regra dos RPG’s é que os personagens mais fortes derrotem com facilidade os mais fracos. Fora isto, a IA voltou a ter uma dificuldade por defeito após uma tentativa de introdução de dificuldades muito mal conseguida em Black Version 2 e White Version 2, e é pena que não tenham voltado a tentar introduzir novamente isso de uma forma melhor que conseguisse agradar todos os jogadores pois os mais veteranos não têm um desafio tão grande ao progredir na campanha. E isto também se aplica aos “Pokémon Lendários”. Existem poucos e estes pareceram-me demasiado fáceis de capturar mesmo não tendo um cuidado maior para os enfraquecer, e para mim isso não é um sinónimo de “Pokémon Lendário” quando já passei tantos trabalhos para os capturar nos jogos anteriores.

A nível sonoro, músicas deste jogo são de qualidade, algumas são inspiradas na cultura francesa (só aquele tema do Sycamore… é qualquer coisa) mas também existem muitas outras com a sua própria identidade que assentam que muito bem nos diversos locais do jogo. Mas sendo eu um jogador da série desde Red e Blue, certos detalhes foram o que mais me surpreenderam porque existem Remixes de músicas desse tempo e ataques como o Hyper Beam, Psybeam, Psychic têm efeitos sonoros iguais aos dos jogos da 1ª geração. Em combates online agora temos a possibilidade de escolher uma de várias músicas para ouvir durante esse combate e isso é bem mais agradável porque quem jogou os jogos anteriores facilmente desligava o som da consola e ouvia outra coisa durante as batalhas.
Para além disso, temos os sons dos Pokémon que após tantos anos foram refeitos. Não existiu uma remodelação por inteiro, são similares aos seus sons de todos os outros jogos, mas têm uma “vibe” mais orgânica que dá muita mais vida a estas criaturas que nos acompanham à tantos anos. A mascote da série mereceu um tratamento de luxo porque lhe deram a sua voz do anime, existe uma certa pinta ouvir “Pika Pika” mas confesso que sinto alguma falta do grunhido original (isto qualquer dia passa-me). Em suma, mais um trabalho sonoro excelente por parte da Game Freak onde misturam o antigo com o moderno, passando pela temática da série e resultando num trabalho que supera o bom nível que nos têm vindo a habituar.

Mas estes jogos, pouco antes de serem lançados, foram alvos de algum ceticismo quanto à decisão da Game Freak de não ter um efeito 3D da 3DS em todo o jogo como é normal nos jogos desta plataforma. Esta opção foi justificada por “não querer banalizar o efeito”, e confesso que até me pareceu uma ideologia interessante antes de colocar as minhas mãos nos jogos, mas quando tive a oportunidade vi que na verdade não era bem assim como diziam. Sempre que se liga o 3D numa batalha existem quebras de frames o que estraga por completo a experiência que o jogador tem utilizando este efeito, mas pior são as batalhas que envolvam mais de 2 Pokémon porque aí ele é inexistente.
Está visto que não perderam muito tempo a explorar esta funcionalidade da consola, é certo que jogos como Pokémon ocupam muitos dados no cartuxo e o hardware talvez não tenha grande capacidade para fazer um excelente efeito 3D como muitos outros jogos que existem para a consola, mas mais valia não ter qualquer efeito 3D do que ter um efeito de forma parcial e mal feito.
Para além disto, o último reparo que tenho a fazer a estes jogos são as animações das personagens fora de batalhas pois maioritariamente estão estáticas, mas piscam os olhos e caminham. Nada de especial, só mesmo o Tierno é que tem um ou outro movimento de dança e isso tem a sua graça, mas é pena que não tenham explorado mais este campo quando oportunidades para isso não faltavam.

Conclusão

Pokémon fez a transição para o 3D em grande estilo, uma direção de arte belíssima, adições e afinações que acrescentaram e muito àquilo que conhecíamos de Pokémon até então, funcionalidades online que tornam este jogo muito mais interativo entre jogadores e existe uma grande conexão entre o jogador, a sua personagem no jogo e os seus Pokémon.
Pokémon X e Pokémon Y cumprem as expectativas por serem uma experiência muito rica, mas não conseguiram superar as expectativas como Black Version 2 e White Version 2 fizeram por adicionarem muito conteúdo para além da campanha, e é isto que os jogadores devem de ter em conta antes de pegarem nestes jogos. Fora isto, é um jogo que recomendo bastante!

sig-BAlvez

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